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Deixo aqui a sugestão para este percurso descoberto um pouco por acaso quando avistei na estrada umas placas indicando “gravuras rupestres”. Impelido pela curiosidade e interesse por esse tipo de vestígios arqueológicos, lá fui seguindo os sinais até encontrar este pequeno percurso que corresponde ao Itinerário Arqueológico do Vale do Tâmega.

Iniciei o percurso talvez pelo lado de mais difícil acesso, seguindo por um estradão estreito em paralelos entre casas e monte acima, até alcançar um local onde existe esta placa informativa. Nela constam as seguintes informações: Este itinerário integra vários sítios e monumentos arqueológicos das freguesias de Peroselo, Luzim e Boelhe. Estes núcleos patrimoniais encontram-se devidamente sinalizados ao longo de todo o percurso, tendo-se requalificado as suas envolventes.

Segui então monte acima, passando junto de uma pequena pedreira, até alcançar esta curiosa construção que podem ver na foto.

Impressionado por tamanha construção, fiquei com altas expectativas em relação às gravuras.

Este é o acesso às gravuras rupestres de Lomar.

Cá estão elas. Um pouco decepcionante, esperava um pouco mais, mas não deixa de ser interessante.

Uma outra perspectiva para o bloco com as gravuras.

Deixo aqui a descrição do local, encontrada no painel informativo:

Este núcleo de arte rupestre integra quase cem insculturas de motivos variados, talhadas num pequeno penedo granítico aplanado que se destaca do solo. Entre os símbolos representados abundam os pedomorfos agrupados e alinhados em diferentes posições, inúmeras fossettes, e ainda alguns motivos halteriformes e paracirculares. Desconhece-se o verdadeiro significado destes núcleos artísticos, bem como a simbologia dos motivos representados. Os pedomorfos, por exemplos, muito comuns neste tipo de arte rupestre, são normalmente interpretados como a representação esquemática do pé humano, podendo associar-se à ideia de um percurso ou caminhada. Há contudo, várias interpretações que relacionam esta arte esquemática e abstracta não só com a sacralização dos lugares, mas também com a delimitação territorial e/ou com rituais iniciáticos.

Como se pode ver pela placa, o percurso ainda é recente, talvez por isso não esteja muito divulgado. O mesmo não é bem um percurso pedestre, uma vez que não segue as normas existentes em Portugal, nomeadamente no que diz respeito às marcações.

Não existem marcas pintadas, mas todo o caminhos está assinalado com "calhas" de madeira no chão, de cada lado do caminho, parecendo quase carris. Nos cruzamentos existe sinalização indicando o caminho correcto. Segui então pelo caminho, ao longo de quase 1 km até chegar à outra zona de interesse onde existe o Menir de Luzim e as Pegadinhas de S. Gonçalo.

Aqui também, volto a deixar as informações que encontrei por lá:

Menir de Luzim: Os menires são monumentos megalíticos integrados num fenómeno cultural que começa a marcar a paisagem europeia a partir do Vº milénio a.C., e que se traduz por uma arquitectura monumental, caracterizada pela construção de estruturas com blocos pétreos de grande dimensão. Ao passo que as antas ou dólmenes constituem monumentos funerários, os menires poderiam assinalar lugares de reunião de comunidades pré-históricas afins, projectando também os seus ideais sagrados, voltados para o culto da fecundidade, marcada pelo carácter fálico destes monólitos. Podem também ser interpretados como marcos de território e/ou como ponto de observação dos astros, conjugando aspectos intimamente ligados à exploração e fertilidade do solo, do qual dependiam cada vez mais estas sociedades, progressivamente sedentárias. No caso concreto do menir de Luzim, a sua localização pode também estar associada à proximidade da necrópole da Tapada de Sequeiros.

 

Pegadinhas de S. Gonçalo

As gravuras rupestres conhecidas como “pegadinhas de S. Gonçalo” revelam quatro pedomorfos, orientados a Nascente-Poente, articulados com cinco fossettes ou “covinhas”, e ainda um motivo geométrico em “T”, relacionado com outras duas fossettes. Não pode precisar-se a sua datação, mas é genericamente aceite que esta arte rupestre é mais recente que os monumentos megalíticos aos quais se associa, desenvolvendo-se a partir do IIIº milénio a.C. até à Idade do Bronze. Durante este período começa a abandonar-se a construção dos grandes túmulos colectivos em favor de enterramentos individuais em cista, coincidindo com uma ampla e comprovada reutilização de dólmenes, factor que poderá justificar a presença destes núcleos artísticos em áreas de necrópoles megalíticas.

Regressei então pelo mesmo caminho...

... apreciando a paisagem envolvente do vale do Tâmega.

Uma descida até ao Tâmega?

Não! Apenas uma bela perspectiva sobre a albufeira da barragem próxima.

Regressei à zona das gravuras rupestres e segui até ao ponto de partida, por se tratar, obviamente, de um percurso linear.

O percurso é simples e sem dificuldades, ideal para uma passeio em família. Contem com 1,4 km para cada lado.

O mapa do percurso. O ficheiro GPS está também disponível na conta do Wikiloc.com do darasola (podem encontrá-la ao fundo, no lado esquerdo do blog).

Boas caminhadas

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