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Esta aventura andava há muito tempo na minha cabeça, desde que comecei a ouvir falar de tal percurso. A partida efectua-se desde a antiga estação de comboio de Barca d'Alva e segue pela linha fora ao longo de cerca de 17 km, até chegar à estação (igualmente) abandonada de La Fregeneda. São vinte o túneis a atravessar e treze as pontes/viadutos a transpor! As paisagens sobre o rio Águeda são fantásticas! "Águeda?" perguntarão vocês... Sim, Águeda! Não sabia, mas fiquei a saber que há dois rios Águeda em Portugal: um é o que passa na cidade portuguesa homónima, sendo um afluente do Vouga e este, que nasce em Espanha, passa por Ciudad Rodrigo e desagua em Barca d'Alva.

O percurso é um desafio às fobias: quem tiver medo do escuro, de morcegos ou de alturas, é melhor não arriscar e contentar-se com as fotos dos outros, mas para quem quiser um bom desafio, este é um trilho à altura.

O facto de caminharmos sobre uma linha, com carris, as travessas de madeiras e os socalcos em pedra acaba por tornar esta caminhada um pouco penosa. É fundamental levar uma calçado adequado, preferencialmente umas botas de sola rija, para evitar o incómodo de pisar o cascalho da linha. Outra coisa a não esquecer é a água! Com calor, este percurso pode ser bastante penoso, e não existe nenhum ponto onde reabastecer. O facto da linha, entretanto classificada com Património Nacional Espanhol, evolui ao longo de escarpas imponentes, pelo que os acesso a meio do percursos são... nulos! Convém ter cuidados redobrados e não contar muito com o apoio do telemóvel, pois nem sempre se consegue ter rede.

A travessia das ponte/viadutos foi, para mim, o prato forte desta aventura. Não sou muito dado a vertigens, mas passar pela fina linha metálica, com o abismo (+ de 50 metros em média) de um lado e outro, deixa qualquer um com os níveis de adrenalina ao máximo, e a batida do coração mais forte. O truque é ir pela parte metálica (NUNCA pela parte de madeira, pois está a ficar podre) e olhar em frente (Não para baixo), mantendo a mão no corrimão. Esse corrimão é no entanto traiçoeiro, pois está muito afastado de nós e obriga algumas pessoas com braços mais curtos a inclinarem-se para o vazio! Sensações fortes garantidas! Em caso de tempo chuvoso ou com muito vento, é muito perigoso realizar a travessia das pontes, pelo que não se recomenda o percurso. Uma das pontes é especialmente perigosa por ser em curva e termos de dar um "salto" (vá lá, uma passada larga) no vazio.

Mas existiram outro facto de destacar nesta aventura, por exemplo, o túnel dos morcegos. São tantos que se forma uma camada de esterco no chão, chamada "guano", que acaba por se transformar num tapete "fofo" para caminhar. Outro facto assinalável foi o encontro imediato com um estranho veículo, que entrou no túnel quando íamos quase a sair. Com uma luz frontal e fazendo um barulho de motor, qual não foi a nossa surpresa quando vimos uma luz ao fundo do túnel que vinha em nossa direcção. Não se tratava de um comboio, mas de um veículo artesanal (pelos vistos feito por um espanhol) que se dedica a realizar pequenas excursões pela linha. Não sei o que será mais arriscado: passar pelos túneis a pé ou naquele estranho veículo de seis rodas. Ainda nos cruzamos com outro grupo de caminheiros, bem no meio de um dos túneis, que faziam o percurso em sentido inverso. O efeito de ver uma série de lanternas apontadas na nossa direcção tem sempre um efeito estranho, um pouco angustiante. Depois de dois dedos de conversa, ficamos a saber que eram um grupo de portugueses que já estavam a realizar aquele trajecto pela 4ª vez.

Para quem ficou com água na boca por esta aventura, podem deliciar-se com algumas fotos.

A placa diz tudo.

O aspecto desolado do interior da estação.

Seguindo em direcção aos outros edifícios.

Garagens e plataforma rotativa para as locomotivas.

O caminho é este.

Chegada à primeira ponte

Esta é a que está em melhor estado.

Ao lado, passa a estrada com a sua ponte rodoviária.

Aspeto geral da ponte e dos primeiros elementos do grupo a atravessar.

A meio da ponte, surge a placa que marca a passagem para território espanhol.

O primeiro túnel [#20].

Até aqui nada de especial.

Afinal, isto fica mesmo escuro... Onde é mesmo o fim?

Exit

A vista sobre os olivais junto ao rio Águeda.

A primeira ponte "a sério". A passagem deve fazer-se pelo lado direito, pela viga metálica mais larga. Do lado esquerdo existe um caminho mais largo, mas por ser em cima de traves de madeira que estão visivelmente podre, o melhor é mesmo ir em cima do ferro.

Vista para o vale.

Mais um túnel.

Mais uma ponte. Existe um corrimão do lado por onde devemos passar, no entanto está a uma distância superior ao tamanho do braço, no entanto, acabámos por seguir com o braço estendido, tocando com a ponta dos dedos o ferro. A factor psicológico é fundamental nestas travessias.

Um wallpaper para o computador.

Em cima da trave de poucos centímetros de largura, com o chão, lá em baixo, a uma dezena de metros. Não há espaço para fraquejar...

Vista de outra ponte.

Um túnel relativamente pequeno.

Uma casa abandonada junto à linha. Talvez fosse uma estrutura de apoio à mesma.

Simetrias...

O vale é imponente e é possível observar a linha a continuar pela encosta dos montes.

O rio Águeda corria com pouca água.

Para quem tem vertigens, o percurso é desaconselhado.

Mais uma ponte em visível mau estado.

A vegetação começa a tapar alguns túneis. Nalguns sítios ao longo da linha, as silvas foram uma dificuldade: calças e bastões de marcha são recomendados para afastar os picos.

A luz ao fundo do túnel.

Mas... Que raio! Afinal havia mesmo uma luz ao fundo do túnel. Eis o tal meio de transporte para turistas inventado por um espanhol. Valeu um susto ao vermos que a luz era mesmo a de um comboio. :-)

Esta estranha torre surgiu assim do nada. Não se via nada à volta.

Parecia saída de um episódio da série "Lost".

Finalmente alcançámos a ponte que era o maior desafio. Se seguirmos pelo lado direito, a curvatura da linha obriga a um pequeno salto (da largura de uma passada) por cima do vazio. Eu passei, mas recomendei a quem não se sentisse à vontade para que fossem pelo lado esquerdo.

Este local é impressionante.

A meio do viaduto, olhando para trás e para o grupo.

Daqui era possível ver mais um viaduto na encosta da serra.

Uma construção impressionante. Imagino quantos terão sido necessários para construir tal obra, num local tão agreste como este.

Entrámos num túnel onde encontrámos uma grande colónia de morcego. Os seus dejectos criaram um tapete mole no caminho, e um cheiro nauseabundo. Felizmente, a meio do túnel existe uma abertura que permite sair e apreciar as vistas apanhando ar.

Abutre ou grifo?

Alcançámos então a zona que se via um pouco antes.

O mesmo local numa outra perspectiva...

... e mais acima ainda. O local é fantástico!

Imponente lá do seu alto, observava-nos, quem sabe, talvez à espera de uma refeição...

A nossa "linha de vida"

Nesta parede era possível ver os vestígios de um ninho.

Passando a ponte.

O caminho continua...

Encontrámos uma estranha construção, semelhante aos antigos fornos de cal, mas pela abertura, pensámos que deveria ser um abrigo para pastores.

O mais pequeno viaduto do percurso, mesmo antes do maior túnel do percurso.

Com cerca de 1 km, a luz à fundo do túnel deu-nos uma falsa sensação em relação ao seu tamanho.

- A saída é já ali! Chega-se lá num instante, é como os outros.

A verdade é que caminhámos, caminhámos, caminhámos... da entrada apenas restava um pontinho de luz e o fim ainda não tinha surgido. No seu interior a humidade e o frio era um contraste em relação ao calor tórrido que se fazia sentir no exterior. Realmente é uma obra impressionante, que pena não ser aproveitada para outros fins, estando entregue a si própria.

Quase, quase lá...

Finalmente! La Fregeneda, a primeira estação do lado espanhol.

Está está também em estado de degradação, mas nunca me soube tão bem chegar ao meu destino.

Confesso que esta foi sem dúvida a melhor caminhada que fiz até hoje e, apesar das dificuldades e do perigo, recomendo-a a quem tiver coragem para este verdadeiro desafio.

Boas caminhadas

Darasola

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1 comentário

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De medronho a 08.07.2010 às 13:44

Parabéns pela AVENTURA (nas pontes) ;)

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