Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Açores - Pico - Subida do vulcão do Pico

por darasola, em 03.05.17

O objetivo principal da visita ao grupo central dos Açores era a subida ao topo do vulcão do Pico. Com 2351 m de altitude, constitui o ponto mais alto do território português e é um "must do" para qualquer amante de caminhadas. A montanha está omnipresente em qualquer ponto da ilha, e até mesmo das ilhas vizinhas do Faial e de S. Jorge, e torna-se um companheiro de viagem, servindo de ponto de referência. Na verdade, a conquista da montanha não é propriamente um passeio, pois dada a dificuldade da subida acaba por ser mais do que uma simples caminhada e está quase no patamar da escalada/montanhismo.

A primeira questão é a da meteorologia: será que o tempo vai estar favorável à subida? Será que vai estar "fechado" e não será permitida a subida? Apesar do trilho estar identificado por estacas ao longo de todo o percurso, se a visibilidade for reduzida é muito fácil perder e sair do trilho, daí a interdição de subida. Foi então o nosso primeiro receio. No dia da chegada ao Faial, apenas conseguimos ver o topo da montanha - o Piquinho - quando o avião fez a descida para o aeroporto. Após descermos abaixo do nível das nuvens, o cume manteve-se escondido e assim se manteve até quando mudamos de ilha. Por uma questão de segurança, fomos à Casa da montanha, o centro de receção dos caminhantes e ponto de partida da subida, para obtermos informações sobre as previsões para o dia seguinte. Não obtivemos a resposta pretendida, pois o tempo era incerto, mas ficamos com um "É melhor vir até cá e ver como está o tempo". Assim fizemos. Saímos da vila da Madalena com um céu coberto e cinzento que não permitia ver sequer  a sombra da montanha. Cruzamos a ilha pela estrada longitudinal e ficamos radiantes quando constatamos que a Casa da Montanha estava já acima das nuvens e que o cume estava completamente limpo.

Como referido, é necessário fazer a inscrição de cada caminhante na Casa da Montanha para se poder iniciar a subida. Somos informados das regras e condições de seguranças e visualizamos um breve vídeo informativo. É entregue um GPS com função de rádio para uma eventual emergência e para que os vigilantes possam saber a nossa posição exata durante a subida (surge em tempo real num ecrã da sala da Casa da montanha). De destacar também que somos informados das coimas aplicadas e custos de uma eventual operação de resgate, algo que considero muito positivo para dissuadir muitos "aventureiros" destemidos, que não saibam respeitar a montanha. Também temos de pagar uma taxa de 10€ por pessoa para subir ao Pico e 2€ se a subida incluir a subida ao Piquinho.

Finalmente demos início à subida. Apesar de ser apenas cerca de 5 km, o percurso é bastante exigente, principalmente devido à irregularidade do trilho. Apesar de em algumas zonas ser um trilho bem nítido, noutras é apenas uma linha imaginária entre uma estaca e outra. Em parte do percurso a progressão faz-se de rocha em rocha. Umas boas botas e bastões de caminhada (2 de preferência) são essenciais, em especial para a descida que é muito mais exigente do ponto de vista técnico e mais perigosa também. No nosso caso, a subida fez-se em cerca de 2h30 e a descida demorou 3h. De referir ainda a subida ao Piquinho, o pequeno cume de 70 m que existe no centro da cratera do vulcão. O terreno é muito inclinado e tão acidentado que em certos pontos o mais seguro é usar mãos e pés para a subida.

Resumindo, a subida ao Pico foi incrível. A conquista e superação aliadas às paisagens únicas e vistas fantásticas sobre as ilhas do grupo central tornaram a experiência inesquecível. As dores musculares nos dias seguintes também não deixaram esquecer a dureza da conquista da montanha.

azores_pico_subida_01.JPG

Casa da Montanha

azores_pico_subida_02.JPG

Interior da Casa da Montanha, com o ecrã onde se consegue ver imagens em direto da câmara colocada na subida, bem como os outros caminhantes.

azores_pico_subida_03_1.JPG

A porta para o Pico.

azores_pico_subida_04.JPG

A escadaria de início da subida e o monumento existente.

azores_pico_subida_05.JPG

O aspeto da Casa da Montanha acima das nuvens.

azores_pico_subida_06.JPG

O início do trilho é muito fácil.

azores_pico_subida_07.JPG

Uma das várias crateras pelas quais passamos durante a subida.

azores_pico_subida_08.JPG

A câmara colocada no início da subida que transmite imagens em streaming (disponível no SpotAzores)

azores_pico_subida_09.JPG

Verde e branco

azores_pico_subida_10.JPG

Mais uma cratera observável na subida.

azores_pico_subida_11.JPG

Nessa parte já não se distingue nenhuma trilho, apenas as estacas de orientação.

azores_pico_subida_12.JPG

Aspeto da irregularidade do piso.

azores_pico_subida_13.JPG

Sentimo-nos pequenos perante a montanha.

azores_pico_subida_14.JPG

azores_pico_subida_15.JPG

Nalguns locais, a lava deixou pequenos túneis ocos debaixo da rocha.

azores_pico_subida_16.JPG

O símbolo da paz feito de rochas vulcânicas.

azores_pico_subida_17.JPG

Um mar de nuvens com uma aberta sobre a ilha do Faial.

azores_pico_subida_18.JPG

azores_pico_subida_19.JPG

O Faial já se distinguia um pouco mais.

azores_pico_subida_20.JPG

Aspeto final da subida.

azores_pico_subida_21.JPG

O trilho aqui é bem visível, mas é composto por um chão de gravilha escorregadia.

azores_pico_subida_22.JPG

Na chegada ao topo da cratera.

azores_pico_subida_23.JPG

Vista da cratera e do Piquinho. Conseguem distinguir as pessoas com roupas rosa/vermelho na fotografia?

...

(dica: por cima da palavra sapo)

azores_pico_subida_24.JPG

Finalmente, no topo do Piquinho, com vista para a cratera.

azores_pico_subida_25_1.JPG

O topo de Portugal é aqui!

azores_pico_subida_26_1.JPG

2351 m

azores_pico_subida_27.JPG

Depois da conquista da montanha, iniciamos a dura e longa descida. As estacas marcam o caminho.

azores_pico_subida_28.JPG

Vista para o Faial e a baía da cidade da Horta.

azores_pico_subida_29.JPG

azores_pico_subida_30_1.JPG

Cá estou eu!

azores_pico_subida_31.JPG

Dominando a paisagem.

azores_pico_subida_32.JPG

azores_pico_subida_33.JPG

A descida ainda ia a meio, mas era impossível não parar para contemplar as vistas.

azores_pico_subida_34.JPG

Alcançamos dois grupos diferentes na descida, que tinham dificuldades visíveis para descer.

azores_pico_subida_35.JPG

A base do vulcão parece uma vasta pradaria, com uma cratera aqui e ali.

azores_pico_subida_36.JPG

Buracos no piso sobre túneis lávicos.

azores_pico_subida_37.JPG

azores_pico_subida_38.JPG

No regresso à Casa da Montanha, recebemos o certificado da subida ao Pico.

azores_pico_subida_39.JPG

Regressando à Madalena seguindo pela estrada longitudinal, com vista para a baía da Horta (Faial).

Ficha técnica: 

Distância: cerca de 10 km (5 km para cada lado)

Tempo:  2h30 para a subida e 3h para a descida (com bom tempo e boa visibilidade)

Tipo: linear

Dureza física: 5/5

Dificuldade técnica: 5/5

Beleza do Percurso: 5/5

Marcação: 4/5

Informações sobre o percurso: n/a

Outros sites de relevo: n/a

Panfleto oficial: n/a

Trilho GPX: n/a

Ponto positivos: beleza e desafio do percurso, topo de portugal

Pontos negativos: percurso fisicamente exigente

Autoria e outros dados (tags, etc)

Não é todos os dias que se faz uma caminhada numa paisagem classificada como património da humanidade pela UNESCO desde 2004, mas quem vier à ilha do Pico conhecer a zona das vinhas da Criação Velha pode fazê-lo. A paisagem impressiona  não só pelo seu aspeto único, onde os pés de videira se escondem por entre muros de pedra negra, mas também por pensarmos na tarefa hercúlea que deve ter sido a construção de todos estes muros. Milhares e milhares de quadrados, chamados currais, protegem a vinha do vento e ajudam ao amadurecimento das uvas pelo calor acumulado nas rochas negras de basalto. Este trilho linear faz-se praticamente ao longo da costa oeste da ilha, com vista para a ilha vizinha do Faia. Decorre em parte pela beira da estrada e outra por caminhos rurais entre as vinhas. Um dos pontos de destaque é a passagem pelo moinho do frade, um edifício classificado e devidamente restaurado, cuja cor vermelha se destaca no meio dos muros negros.

azores_pico_criacao_velha_01.JPG

Painel informativo sobre os locais de interesse ao longo do percurso.

azores_pico_criacao_velha_02.JPG

Começamos na parte mais próxima da vila da Madalena, a zona conhecida como Areias largas.

azores_pico_criacao_velha_03.JPG

Os rola-pipas são locais de acesso ao mar por onde as pipas de vinha eram empurradas para poderem ser embarcadas nos barcos.

azores_pico_criacao_velha_04.JPG

azores_pico_criacao_velha_05.JPG

Aspeto de um rola-pipas.

azores_pico_criacao_velha_06.JPG

azores_pico_criacao_velha_07.JPG

Quase nem se veem as vinhas no meio de tanta pedra.

azores_pico_criacao_velha_08.JPG

Chegada ao famoso moinho do frade que surge em tantas fotografias da ilha.

azores_pico_criacao_velha_09.JPG

azores_pico_criacao_velha_10.JPG

A vista do alto do moinho para a costa e a vizinha ilha do Faial.

azores_pico_criacao_velha_11.JPG

Placa a assinalar a classificação da paisagem como património da humanidade.

azores_pico_criacao_velha_12.JPG

Um mar negro e verde

azores_pico_criacao_velha_13.JPG

A paisagem tem tanto de único como de belo.

azores_pico_criacao_velha_14.JPG

Marca do PR em destaque no colorido da paisagem.

azores_pico_criacao_velha_15.JPG

azores_pico_criacao_velha_16.JPG

Vista da janela

azores_pico_criacao_velha_17.JPG

azores_pico_criacao_velha_18.JPG

azores_pico_criacao_velha_19.JPG

Passagem por um pequeno caminho entre muros quase a perder de vista.

azores_pico_criacao_velha_21.JPG

azores_pico_criacao_velha_22.JPG

azores_pico_criacao_velha_23.JPG

Um dos barracões de apoio com a porta vermelha.

azores_pico_criacao_velha_24.JPG

azores_pico_criacao_velha_25.JPG

Uma sinalética única para este PR.

azores_pico_criacao_velha_26.JPG

As relheiras são locais de passagem dos carros puxados pelos bois, cujo rasto das rodas ficou marcado no chão de pedra.

azores_pico_criacao_velha_27.JPG

As relheiras são bem visíveis na foto acima.

azores_pico_criacao_velha_28.JPG

azores_pico_criacao_velha_29.JPG

Chegada à zona balnear da Laja das Rosas.

azores_pico_criacao_velha_31.JPG

A piscina natural...

azores_pico_criacao_velha_32.JPG

... com vista para o Faial.

azores_pico_criacao_velha_33.JPG

Seguimos por este "caminho" que se fez estrada.

azores_pico_criacao_velha_34.JPG

O estado das uvas na altura da caminhada.

azores_pico_criacao_velha_35.JPG

azores_pico_criacao_velha_36.JPG

 

azores_pico_criacao_velha_37.JPG

azores_pico_criacao_velha_38.JPG

Chegada à pequena localidade de Calhau.

azores_pico_criacao_velha_39.JPG

Vista para o Faial e a cidade da Horta.

azores_pico_criacao_velha_40.JPG

Uma bela casa

azores_pico_criacao_velha_41.JPG

Em vários locais da ilha do Pico é possível encontrar poços de marés. O acesso a água doce no Pico nem sempre foi fácil e uma das soluções eram estes poços de marés, cujas águas eram menos salinizadas e permitiam suprir as necessidades.

azores_pico_criacao_velha_42.JPG

azores_pico_criacao_velha_43.JPG

Vista para a baía do porto do Calhau. O nome não poderia estar melhor escolhido.

azores_pico_criacao_velha_44.JPG

Painel do início do percurso.

azores_pico_criacao_velha_45.JPG

azores_pico_criacao_velha_46.JPG

azores_pico_criacao_velha_47.JPG

O regresso fez-se pelo mesmo caminho pelo que acabamos com cerca de 16 km no total.

azores_pico_criacao_velha_48.JPG

azores_pico_criacao_velha_49.JPG

Boas caminhadas

darasola

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Instagram


Siga o darasola no Instagram

Instagram

Copyrights

A reprodução de todo ou qualquer texto, fotografia ou conteúdo é expressamente PROIBIDA sem autorização por escrito do autor. A reprodução não autorizada é punida por lei. O eventual uso de conteúdos deste blog deve ser SEMPRE acompanhado da referência ao mesmo (de preferência com link). Para contacto: dar.a.sola@sapo.pt

Facebook



Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2006
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D