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Lago de Sanabria [Zamora - Espanha]

por darasola, em 16.10.12

A vontade de conhecer os montes de Sanabria, várias vezes referidos por Miguel Torga, era muita e a oportunidade surgiu. Sanabria, para além das suas serras possui aquele que é o maior lago glaciar da Península Ibérica, com 368ha e dimensões de cerca 3 km por 1,5 km. A nossa base foi montada no Parque de Campismo de onde podíamos desfrutar desta fantástica vista. Após estudar o mapa e a informação na net, achei que o percurso mais simples seria dar a volta ao lago, seguindo um percurso assinalado com a cor azul. No camping, encontramos um placard informativo sobre os vários percursos existentes, mas a sua escala e a falta de marcações foram um obstáculo que só foi superado com a ajuda do GPS e do trilho encontrado nos sítios do costume. Uma boa parte do percurso realiza-se pela berma da estrada (e sem grande segurança) o que acabou por desiludir um pouco, mas chegados a Ribadelago (a nova) ficamos a conhecer a vila reconstruída a mando de Franco, depois da tragédia que destruiu a Ribadelago (Velha). Para quem não conhece fica aqui o resumo desse trágico acontecimento:

Construída entre 1954 e 1956, a barragem de Vega de Tera, com 200 metros de comprimento e 33 de altura, foi inaugurada por Francisco Franco em 25 de Setembro de 1956. Esta barragem teve uma vida curtíssima: em 1959, fortes chuvas e temperaturas extremas (-18 °C) abateram-se sobre a Serra de Peña Trevinca. Estas condições, aliadas à muita água acumulada na albufeira da barragem, levaram a que uma brecha de 70 metros de comprimento e 30 de altura se abrisse, deixando que uma torrente de 8 mil milhões de litros de água se abatessem pelo desfiladeiro do rio Tera. Os oito quilómetros do desfiladeiro foram ultrapassados pela água, lama, rochas e árvores da torrente em 20 minutos. Pelo caminho, a aldeia de Ribadelago foi apanhada desprevenida, resultando da imensa torrente a destruição de 145 das 170 habitações que existiam, e a morte de 144 habitantes que não conseguiram refugiar-se em pontos altos. A corrente chegou a atingir nove metros de altura.

Apenas 28 corpos foram resgatados; os restantes desapareceram para sempre no fundo do Lago de Sanábria, onde a imensa torrente desembocou logo a seguir à destruição de Ribadelago.

A aldeia foi reconstruída, sendo hoje bem visíveis testemunhos da noite fatídica: ruínas de casas e da igreja matriz, a par da estrutura da barragem, a montante, no silêncio da serra

Fonte: Wikipedia

O percurso passa pela aldeia velha e ainda hoje se pode observar as ruínas da igreja, bem como vários marcos alusivos à fatídica noite. A passagem pelo local acabou por ser algo pesada, com o respeito devido a quem ali pereceu. Depois, surgiu uma das partes mais bonitas do percurso, mas também a mais exigente: depois de chegar a uma zona de campos que aproveitam a reduzida área plana para cultivo, o percurso ascende gradualmente até ao ponto mais alto por um fantástico bosque de carvalhos e vegetação típica da zona. A sombra foi apreciada e aproveitada para almoçar. Alcançamos alguns pontos com miradouros e vistas fantásticas para todo o lago e as montanhas em redor.

Chegamos então a San Martin de Castañeda, onde encontrámos a imponente construção do mosteiro de Santa Maria, local onde está instalado o Centro de interpretação do lago de Sanabria. Infelizmente, o local estava a fechar para almoço e mal conseguimos espreitar o seu interior.

A partir daí, o percurso foi descendo progressivamente até ao nível do lago e aproveitamos uma das suas muitas praias fluviais para ir a banhos, antes de realizar a restante parte do trajeto que nos levou novamente por estrada até ao parque de campismo

 

Vista da esplanada do parque de campismo.

Uma fantástica praia fluvial, que estava praticamente vazia as horas da manhã em que lá fomos.

De tarde, o panorama foi bem diferente, com inúmeros banhistas.

Painel informativo.

Existe um barco (dito ecológico) que permite viajar pelo lago.

Aspeto da parte inicial do percurso. A circulação faz-se pela berma sem condições de segurança.

Antes de chegar a Ribadelago (nova), esta estranha construção deixou no ar a dúvida se seria já uma vestígio da tragédia.

A igreja moderna de Ribadelago (nova)

Travessia do rio Tera.

Rio Tera

Zona de planície aproveitada para cultivo.

Chegada a Ribadelago (velha) onde encontrámos estes marcos alusivos à tragédia.

Deixo aqui mais alguns links sobre o fatídico evento:

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1070124&page=-1

http://historiasconhistoria.es/2008/12/09/ribadelago-una-tragedia-olvidada.php

http://paspanno.blogspot.pt/2008/08/tragedia-de-ribadelago.html

 

Fica aqui também um vídeo alusivo ao acontecimento.

 

Ainda se encontram as construções ao estilo mais antigo.

Mais um marco funerário..

... e outro.

As ruínas da antiga igreja, que foi praticamente arrasada. Impressionante...

Continuação do caminho.

A direção era a da aldeia de S. Martin e a balizagem era feita pelos postes de madeira pintados de azul.

Travessia de uma cancela.

Suponho que a passagem seja permitida vista que as marcações eram bem visíveis.

Travessia de uma ponte rudimentar. Ali foi o ataque dos mosquitos!

Seta azul em sinal de marcação.

Vista para a praia fluvial.

O caminho seguia mesmo por ali, pelo leito de um pequeno regato de água.

Vista para Ribadelago (nova).

Pouco a pouco íamos tendo uma panorâmica cada vez melhor sobre o lago.

Na direita, o cruzeiro do barco ambiental.

Uma mariola no caminho.

Existe uma pequena ilha no lago, que pode ser vista do lado direito da foto.

A passagem é mesmo por ali e permite-nos alcançar a estrada e o ponto mais alto do trajeto.

O parque de campismo do outro lado.

San Martin de Castañeda com o mosteiro em destaque.

Outra perspetiva do mosteiro.

Símbolo do parque.

Flora local.

O percurso abandona a aldeia e começa a descer em direção a uma pequena praia fluvial.

Cool-off time...

Depois da banhoca, o regresso por estrada onde encontrámos este curioso marco.

A despedida do lago.

Chegada ao parque de campismo.

 

Distância: cerca de 14 km

Tempo: 4h (+/-) - reservar mais tempo se incluir a banhoca

Tipo: linear

Dureza física:

Dificuldade técnica:

Beleza do Percurso:

Marcação: (praticamente inexistente nas zonas de estrada)

Informações sobre o percurso: (não disponível)

Panfleto oficial. (não disponível)

 

Ponto positivos: paisagem sobre o lago, vistas ao longo do percurso, bosques com vegetação densa, Ribadelago

Pontos negativos: demasiada estrada e sinalização deficiente

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