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Percursos pedestres, caminhadas, pedestrianismo, trekking, trilhos, aventuras, viagens, passeios e descobertas!

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Percursos pedestres, caminhadas, pedestrianismo, trekking, trilhos, aventuras, viagens, passeios e descobertas!

À descoberta da Geira [Gerês-Xurés]

31.05.10 | darasola

 

 

O último destino foi a Geira no Gerês (também conhecida por Via Nova). Para quem nunca ouviu falar na Geira, deixo aqui algumas informações relevantes:

A Via Nova, também conhecida por Geira ou Via XVIII do Itinerário de Antonino é uma estrada romana que ligava duas importantes cidades do Noroeste da Península Ibérica: Bracara Augusta, actual cidade de Braga, em Portugal e a cidade de Asturica Augusta, hoje Astorga, em Espanha.

Esta Via romana ligava estas duas importantes cidades num trajecto de CCXV milhas, aproximadamente 318 km. A Geira, ou Via Nova foi inaugurada, provavelmente, no final do século I d.C., por volta do ano 80, sob a égide de Tito e Domiciano.

Acredita-se que a construção da Via Nova veio reforçar a rede viária romana, conferiu maior mobilidade aos exércitos, permitiu um reordenamento do território e possibilitou uma maior actividade mineira e transição destes bens (sobretudo a circulação do ouro das Minas de Las Medulas, conjunto classificado como Património Mundial da Humanidade).

Em Terras de Bouro, os vestígios arqueológicos são impressionantes: existem mais de 150 miliários, que assinalavam as milhas na Via e davam a conhecer, ao viajante, a distância até à cidade mais próxima. Além dos miliários, em Terras de Bouro é possível vislumbrar vestígios das Pontes Romanas.

O nome original da Via Nova (que pode ser lido em vários miliários que conservam esta inscrição) advém de já haver uma outra via que seguia também de Bracara Augusta para Asturica Augusta. Contudo o seu traçado era bastante diferente, seguindo por Aquae Flaviae (Chaves). Esta Via, com mais milhas do que a Geira, foi catalogada como Via XVII no Itinerário de Antonino.

(Fonte: Wikipédia)

 

Já tinha tomado contacto com a Geira há uns anos quando fui à Calcedónia, e tinha ficado com água na boca para conhecer o percurso na íntegra. a oportunidade surgiu recentemente. Não foi a pé, mas sim de BTT, no entanto decidi colocar aqui as fotos e alguma informação para quem estiver interessado em percorrê-la a pé.

Iniciámos o percurso em Seramil, no entanto o percurso inicia (pelo que me foi possível encontrar na net) um pouco antes, em Paredes Secas, freguesia de Amares e continua até à Portela do Homem (território português), prosseguindo até Lobios, onde concluímos o percurso com um retemperador banho quente, na "piscina" de água quente natural.

O percurso é fantástico! Fabuloso! Alternando entre zonas de sombra e zonas expostas, trilhos de estradões largos ou caminhos estreitos, fomos progredindo ao longo da Via, sempre com os marcos miliários (marca uma milha) e os painéis informativos com a informação sobre o percurso e os monumentos.

Pelo meio percorremos ainda uma parte do PR9 - Trilho da Geira (trilho com 9 km), encontrámos rebanhos e vacas a pastar, marcos transformados pela religião católica, e sempre a natureza no seu esplendor. Passando por Covide, fizemos uma pausa para almoçar, com vista para o monte da Calcedónia, cujas marcas encontrámos.

Fomos pela aldeia de Campo de Gerês, em direcção à albufeira da barragem de Vilarinho das Furnas (onde o fogo deixou as suas marcas), para, em seguida, atravessar a Mata de Albergaria. Aí, fiquei um pouco desiludido pela quantidade de carros que encontrei e que quase provocaram um engarrafamento. A zona do Rio Homem é fantástica e apeteceu ir a banhos, mas ainda faltava muito até alcançar a fronteira, na Portela do Homem. A ponte sem acesso é curiosa de se ver e deixa no ar a questão de como é que chegou até aí...

Passada a fronteira descemos em direcção a Lobios, no que é o Parque de Baixa Limia Serra do Xurés (Espanha), fazendo um desvio para apreciar as quedas de água da Carga da Frecha, para alcançar finalmente o final do percurso (do dia) na zona das piscinas de água quente.

Foram, no total cerca de 45 km, que proporcionaram uma dia fantástico de contacto com a natureza.

Para quem quiser fazer o percurso a pé, convém estudar o terreno para delinear uma eventual pausa no percurso.

Pela sua beleza, pelo seu valor cultural e histórico ou simplesmente pelo prazer de contactar com a natureza, recomendo fortemente este percurso.

Boas caminhadas

Darasola

Subida do Rio Poio

28.05.10 | darasola

A última aventura Darasola foi uma subida de rio, perto de Ribeira de Pena, um pouco acima do Parque do Alvão. O rio em questão é o rio Poio (sim, Poio!), um pequeno rio de montanha, idêntico a outros que já percorri como o Caima ou o Teixeira. A dificuldade destes percursos é notória, principalmente se tivermos em conta que.. não há caminho, a não ser o leito do próprio rio. O que vale é que esse mesmo leito está cheio de fragões e penedos, que permitem andar a saltitar de pedra em pedra e assim evitar ir à água. Se fosse um dia mais quente, até saberia bem, mas a semana anterior tinha sido de chuva e o sol brilhava mas sem grande intensidade.
Do ponto de vista técnico, este percurso implica ter um calçado confortável e adequado para saltar de pedra em pedra, com uma boa aderência às rochas. As botas são, quanto a mim, desaconselhadas por terem um "cano" alto que acaba por pisar o tornozelo.
Certo é que um grupo de quase 20 pessoas acabou por se juntar com um objectivo comum: desfrutar das belezas do rio Poio.
A subida é longa e penosa para quem não tiver algum à vontade neste tipo de condições, o que acaba sempre por acontecer em grupos numerosos e este caso não foi excepção. O que vale é a boa disposição e a solidariedade do grupo que vai ajudando os menos desenrascados. Passámos por vários "poços" onde apeteciam mergulhar, encontrámos vários moinhos em ruínas que nos deixavam sempre com a mesma dúvida: "Como é que eles carregavam o milho até cá e depois levavam a farinha embora??". Tempos difíceis esses de outrora...
Deparámo-nos com uma verdadeira muralha numa das margens, cuja utilidade não conseguimos perceber... Alguém da zona sabe?
A progressão até ao Poço do Inferno foi penosa, mas valeu bem a pena... Um pouco mais e chegámos a uma fantástica cascata, que se despenha do alto de uma altura entre cinquenta e sessenta metros (estimativa minha) numa lagoa escura. Foi o local escolhido para almoçar. A partir daqui, tivemos de regressar pelo mesmo caminho, visto que era quase impossível ultrapassar o obstáculo do precipício da queda de água, sem material especial. O regresso foi algo complicado para um dos aventureiros, cujo almoço caiu mal e provocou uma forte indisposição que nos fez recear as condições do regresso, no entanto, pouco a pouco, lá conseguimos voltar aos carros.
Ainda tentámos atacar a vertente superior do rio, e para tal tivemos de descer uma ravina com 200 m de profundidade até o alcançar, no entanto, como o dia estava quase a acabar e antes de ficarmos sem luz natural, optámos por regressar e subir os 200 m, serra acima.
Foi uma grande ( e dura) aventura que acabou por causar dores nas pernas durante dois dias, mas que valeu bem a pena. Voltaria a repetir sem hesitar o percurso.
Boas caminhadas
Darasola

Portugal é uma aldeia... para percorrer a pé!?

24.05.10 | darasola
PAra quem (ainda) não conhece, deixo aqui o link para o blog de Nuno Ferreira, um jornalista que meteu na cabeça a ideia de percorrer Portugal a pé. Um projecto fantástico que tenho acompanhado via net (Blog e Facebook).
Ora, a razão deste post não é apenas para divulgar mais uma vez a iniciativa aventureira que me deixa cheio de inveja e a sonhar com projectos semelhantes, mas sim para mostrar que a vida tem estranha coicidências... Não é que, por mero acaso, acabei por cruzar os caminhos desse aventureiro?
Deixo aqui o relato/mail de contacto que lhe enviei:
E quem diria que por mera obra do acaso, os nossos caminhos iriam cruzar-se numa churrascaria, bem perto da barragem da Paradela?
Estava eu a lavar as mãos, numa daquelas salas amplas e simples de um restaurante entre o Gerês e Trás-os-Monte, quando entra uma cara estranhamente conhecida, de mochila às costas e visivelmente a sofrer com os efeitos do calor intenso que se fazia sentir.
A minha reacção não poderia ter sido mais imediata: " - Eu conheço-o de algum lado!"
Lá expliquei de onde o conhecia, por ser seguidor do blog e do fórum.
Acabou por ser sentar na mesa ao lado e ainda fomos dando um dedo de conversa, no entanto, um pouco por vergonha e um pouco por respeito, preferi evitar incomodá-lo demasiado com conversa e aproveitar o almoço.
Foi um encontro inesperado, mas que acabou por ter uma sensação estranha: a de conhecer em carne e osso alguém que só "conhecia" do mundo virtual.
A Internet tornou o mundo uma aldeia e Portugal acabou por ficar mais pequeno ainda.
Não chegámos a apresentar-nos, dando apenas informações sobre a nossa localidade de origem, mas deixo aqui os votos de continuação de boa aventura!
Fica aqui também a sugestão para que acompanhem as suas aventuras e o apoiem.
Boas caminhadas
Darasola

Pedras, moinhos e aromas de Santiago - Soalhães [Marco Canaveses]

03.05.10 | darasola

Aproveitei o feriado da liberdade para conhecer novas paragens, indo até Marco de Canaveses à descoberta de um percurso que tinha despertado a minha curiosidade há já algum tempo. Um pouco por acaso, ao andar na net à procura de percursos nessa zona, encontrei o blog oficial do percurso onde os responsáveis pelo percurso disponibilizam o guia e o mapa do percurso. Pela descrição e fotografia pareceu-me ser um percurso interessante, com uma dificuldade adequada ao que pretendo, pelo que faltava apenas a oportunidade para ir até lá.

Ora quando esta surgiu rumei até Soalhães para descobrir essa freguesia do Marco de Canaveses e a Serra da Aboboreira. O ponto de partida, junto à Igreja, revelou ser um espaço bem agradável e arranjado, onde pudemos estacionar à vontade e fazermo-nos à estrada, ou melhor... ao caminho!

Ora aqui surgiu um facto inexplicável: logo à saída do estacionamento, o trilho seguia em direcção a uma cerca onde havia dois portões seguidos, ou seja, ao abrir um teríamos de abrir o outro. Ora se o 1º estava aberto, o 2º não estava. Como é possível estarem portões colocados (e um deles fechado!!) no percurso de um PR marcado e supostamente aprovado pela federação?? Nunca tinha visto nada disto! Tivemos de arranjar uma solução de recurso para continuar o trilho e acabamos por verificar que o caminho seguia ao longo de uma calçada até chegar a outro portão que dava para a estrada e que estava... aberto!!! Ora de que serve ter um portão fechado se o outro, colocado na extremidade, estava aberto!? Sinceramente não percebi! Mas deixei para trás esse caso estranho e lá fomos pela estrada até à Poça da Sapeira, onde abandonamos a estrada para iniciar o trilho. É nessa zona que o percurso inicia a parte circular, pelo que no final do percurso voltaríamos a este local. A partir desta zona pude verificar que o trilho se encontrava muito bem marcado, com várias estacas, painéis e marcas em todo o lado. Passáramos pela capela de S. Clemente, muito pequena por sinal, mas provavelmente será uma capela particular de alguma família, visto que mais adiante passámos pela casa de S. Clemente. Mais adiante encontramos o local sinalizado como "Pedras brancas" e pouco depois abandonamos o piso de terra para entrar numa estrada em calçada. De um lado e outro a cores fortes da primavera eram intensas, em cada pequeno vale ou rego corria um ribeiro.

Chegámos então a uma curiosa construção que parecia ser uma ponte e ao mesmo tempo uma escada, junto da qual pudemos apreciar uma bela cascata. Esse foi o local escolhido para uma pausa para almoço. Pouco adiante viríamos a descobrir o 1º moinho "a sério" do percurso - o do balcão e logo abaixo vimos um monumental penedo que parecia estar apoiado num pequeno pilar de pedra e sob o qual existia uma espécie de curral ou palheiro. A pouca distância desse local passámos junto da furna, uma curiosa gruta, escavada por mão humana, mas cuja finalidade não cheguei a perceber.

Pouco depois chegámos a um cruzamento que nos indicava a capela de Santiago, uma possível marca do caminho de Santiago que os romeiros trilhavam nesta zona. A "varanda" da capela proporciona umas belas vistas sobre o vale, depois de subir a longa escadaria. Vale o desvio que, pelos visto, é obrigatório! De novo voltámos às subidas e acabaríamos por encontrar uma zona onde as marcas do percurso foram removidas intencionalmente das árvores (mais um sinal de falta de civismo do tuga?!), antes de passarmos por uma calçada que servia ao mesmo tempo de pista de Downhill para BTT. Convém por isso ter algum cuidado nessa zona. Mais acima, chegámos então à zona dos moinhos. Tantos! Contei mais de uma dezena, todos seguidos, uns em melhor estado do que outros, mas sempre envolvidos por uma paisagem muito agradável com uma vegetação verde densa e uma subida bem íngreme junto ao curso de água. Com tanta beleza, quase nem demos pela dificuldade... Depois voltámos a uma zona florestal, com casa abandonadas e vestígios da ocupação humana. Já perto da aldeia de Almofrela, seguimos por um caminho sombrio, junto a um muro cheio de musgos. Na aldeia não faltaram motivos de interesse para fotografar como algumas casas recuperadas, a capela de S. Brás e a Tasquinha do Fumo... A partir daqui, o percurso seria a descer pois tínhamos alcançado a cota máxima e faltavam 5,5 km para regressar a Soalhães. O caminho alternou entre caminho rurais entre campos e bosques e zonas de floresta recentemente cortadas, não sem antes termos tido algumas dúvidas sobre o caminho correcto ao passarmos junto a um edifício que parecia um palheiro.

De referir a peculiar capela de S. Bento, do qual apenas restam umas pedras ao alto, sendo que uma delas tem gravadas umas curiosas inscrições (em latim?) que não consegui decifrar. Junto à mesma, vale a pena reparar nos trilhos deixados na pedra pela sucessiva passagem de carros de tracção animal. Ainda no caminho de regresso, acabaríamos por ultrapassar um outro grupo de caminheiros que andava também a descobrir o percurso: um sinal de que interessa a muita gente.

Acabaríamos junto da Igreja de Soalhães onde encontrámos uma autêntico tapete de flores.

O Trilho GPS está na conta Wikiloc do Darasola

 

Painel informativo junto ao início do percurso.

A igreja paroquial de Soalhães.

O inexplicável portão fechado por onde devia seguir.

Lá tive de arranjar forma de passar o portão e seguir pelo percurso certo.

Calçada que leva à estrada.

Este portão... estava aberto, ao contrário do anterior.

!ª incursão em modo off-road.

Bifurcação do caminho: comecei pela esquerda e terminei pelo caminho da direita.

Painel com a representação do mapa do percurso.

Uma pequena capela privada no percurso - capela de S: Clemente.

Aspecto do trilho.

Um dos locais referenciados: as pedras brancas.

Um local muito engraçado...

... onde o percurso se transforma numa cascata única.

O primeiro moinho do percurso.

Uma estranha floreira...

A casa de uma só telha?

Painel informativo sobre os moinhos em rodízio.

Uma furna que parece ser uma cavidade natural, eventalmente usada para fins agrícolas.

No cruzamento, encontrei esta placa e seguimos o seu conselho.

Com tanto painel, deve ser mesmo de valer o desvio.

E valeu mesmo a pena! O local é muito agradável e singelo.

Uma varanda natural com vista para o vale.

A vista do miradouro.

A pequena capela.

Aspecto do trilho.

Calçada antiga no percurso.

Nesta zona o trilho é partilhado com uma pista de BTT-DH.

O caminho é mesmo por aqui.

Mais um moinho.

Gostei de ver esta canalização escavada num tronco.

Uma zona com um passadiço.

Aspecto do trilho na zona onde existe os vários moinhos em linha.

Moinho de Santiago.

A paisagem muda um pouco e passamos por uma zona mais exposta e pouco arborizada.

Casa em ruínas.

Mais uma furna?

Gostei da dupla tonalidade de verde.

Antigo caminho rural.

Chegada à aldeia de Almofrela.

Casa restaurada na aldeia.

Capela da aldeia de Almofrela.

Placa dos Amigos do Rio Ovelha, na parede da Tasquinha do Fumo.

A partir daqui, o percurso encaminhava-se para o ponto de partida.

Aspecto do trilho.

Passagem numa zona recentemente cortada. Um aspecto deprimente...

Casa em ruínas.

(sem comentários)

Algumas marcas deixadas no tempo são indeléveis.

Os vestígios da Capela de S. Bento com estas inscrições numa pedra.

Aspecto global do local.

O contraste entre as ovelhas em 1º plano e a via rápida em pano de fundo.

Este estranho artefacto servia para que os bois cobrissem as vacas, pelo menos foi o que disseram os habitantes da casa ao lado. Um estranho encontro ao longo do percurso.

Passagem por uma propriedade agrícola.

Encontrámos um outro grupo que percorria o trilho.

Lá em baixo, a capela de S. Clemente, por onde tínhamos passado no início.

A descida atáé à bifurcação inicial do percurso.

O regresso à igreja paroquial.

Na altura, estava um tapete de flores frente à entrada da igreja.

Gostei da entrada esculpida da igreja.

 

Avaliação do percurso:

Positivo: Sinalização (sobretudo na parte inicial), paisagens, a passagem dos moinhos e a capela de Santiago.

Negativo: O portão fechado (!!!) , alguns cruzamentos onde desapareceram as marcações.

 

Boas caminhadas

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