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Viagem darasola - Norte de Itália - Veneza

24.09.19 | darasola

Há muito tempo que queria conhecer Veneza, mas a oportunidade ia tardando. Veneza é única e apesar de termos a nossa "Veneza" portuguesa, e não querendo diminuir todo o seu encanto, as semelhanças entre Aveiro a Veneza são remotas. Mas Veneza é também o paradigma do excesso de turismo, as suas particularidades arquitetónicas tornam-na particularmente vulnerável ao turismo de massas, em particular aos cruzeiros que atracam no seu cais para "despejar" centenas e centenas de turistas diariamente. Sempre ouvi dizer que ou se amava ou se odiava Veneza e que era de fugir na altura do verão, mas nada como comprovar pessoalmente.

Como a viagem foi feita durante o inverno, conseguimos escapar um pouco à confusão turística, mas mesmo assim não nos livramos de apanhar uma valente seca na fila para visitar o Palácio Ducal ou dos Doges. Nem quero imaginar a confusão que será visitar em pleno verão na época alta. Não me vou alongar muito com o roteiro de Veneza pois isso é o que não falta na net, mas apenas partilhar a minha experiência.

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Deixamos Verona cedo de manhã e apanhámos o comboio para Veneza. A viagem foi tranquila e rápida, embora a aproximação a Veneza tenha sido longa, já que se faz por uma longa ponte de 3,5 km sobre as águas da lagoa de Veneza. Mal saímos da estação de Veneza Santa Lucia, deparamo-nos com o primeiro impacto sobre a cidade e o Canal Central e de uma das muitas igrejas da cidade, a de San Simeone Piccolo e a sua cúpula.

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Atravessámos logo na primeira ponte à saída da estação - Ponte degli Scalzi (Ponte dos descalços) - e contemplamos a impressionante arquitetura do casario erguido sobre a água.

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Vista para a estação de comboio de Santa Lucia. Em primeiro plano no centro da foto vê-se uma espécie de barcaça que é simplesmente uma "paragem de autocarro". Esta estações são paragens para o Vapporeto, que é um serviço de transporte público que percorre o grande canal, bastando comprar um bilhete para percorrer todo o canal ao longo da cidade. É uma ótima dica para conhecer a cidade de uma outra perspetiva e bem mais em conta do que andar de gôndola, cujos preços são exorbitantes para uma viagem muito curta.

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Mal nos aventuramos dentro da cidade, surgiu o contraste da primeira impressão ao sair da estação: os espaços passam a ser exíguos com ruelas muito estreitas, quase sempre ladeando os canais e com várias travessias sobre pequenas pontes. O hotel que escolhemos ficou muito próximo da entrada da cidade e da estação devido aos horários dos comboios do dia seguinte para regressar a Milão e apanhar o avião. Depois de deixarmos as malas, decidimos perder-nos na cidade.

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Perder-nos foi uma força de expressão, mas a verdade é que isso é muito fácil de acontecer em Veneza. Tudo é muito parecido e as ruelas são muito estreita, com casas altas que não permitem encontrar nenhum ponto de orientação. Felizmente existem placas ao longo de uma "via principal" que nos dão indicações sobre o caminho para chegar à Ponte de Rialto e à Praça de São Marcos.

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A entrada da Ponte de Rialto não impressiona tanto como a sua vista a partir da água, onde aí sim, revela toda a sua beleza. Mas nesta perspetiva dá para nos apercebermos que é uma ponte bastante larga, que alberga duas fileiras de edifícios ocupados por lojas de souvenirs, e mesmo assim com 3 vias para circular: uma mais larga no seu centro e duas mais estreitas em cada flanco, de onde podemos contemplar as vistas para o canal central. Como seria de esperar o local estava cheio de gente.

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Junto à ponte o nível das águas deixava-nos com algum receio, pois já todos ouvimos notícias sobre os problemas que afligem esta cidade que pouco a pouco se vai afundando.

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O passeio de gondola ficou adiado... para sempre. Com tarifas a começar em 80€, nem preciso explicar o porquê.

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O nível das águas nem deixava perceber onde acabava o cais e onde começava o canal.

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Adorei a obra de arte das mãos que saem das águas para sustentarem o palacete.

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Outra perspetiva do Canal central.

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Subimos e atravessamos a Ponte de Rialto, com a sensação de que praticamente todas as lojas eram de souvenirs.

Quando chegámos à Praça São Marcos, as nossas suspeitas confirmaram-se. O nível das águas que ladeavam a zona da ponte de Rialto eram também suficientes para cobrir parte da praça, obrigando à solução de recurso de circular por "passerelles". Isto deve ser tão frequente por ali que parecia uma coisa natural para todos os que ali estava... Se em Roma deves fazer como os romanos, em Veneza... a regra será certamente a mesma.

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Os vendedores também souberam aproveitar as circunstancias para engendrar uma nova forma de sacar dinheiro aos turistas. Vendem umas galochas/meias de plástico (ver foto acima), que se enfiam por cima do calçado e das calças, permitindo circular pela águas sem grandes problemas. Claro que aquilo não é garantido a 100%.

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Mesmo coberta de água, a Praça S. Marcos é lindíssima!

 

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O Campanário domina a praça de S. Marcos e do alto dos seus 99 metros, as vistas devem ser fabulosas, mas hoje não. A torre primária do séc. XII terá sido inicialmente um farol para ajudar à navegação. Foi redesenhada no séc. XVI e após o seu colapso em 1902 foi reconstruida com o aspeto dos nossos dias.

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Majestosa praça, com a Basílica de São Marcos no seu topo.

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A beleza surgem sob todas as perspetivas, mesmo nesta tarde sombria.

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Os traços retilíneos da torre do campanário, tal como dos edifícios das arcadas em redor da praça contrastam de forma flagrante com as linhas exóticas e curvilíneas da Basílica de São Marcos.

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O mais justo será dizer que é a Basílica que contrasta com a restante arquitetura em redor. A sua inspiração bizantina é um marco nos edifícios religiosos europeus e a sua beleza não deixa ninguém indiferente. Visitá-la é obviamente obrigatório. Inicialmente pensada para ser uma extensão do Palácio Ducal (ou dos Doges), a construção do edifício original foi iniciada em 828 e terminada 4 anos depois com o objetivo de albergar o corpo do apóstolo São Marcos trazido de Alexandria. A sua remodelação e a adoção dos traços bizantinos que a tornaram única foi iniciada no séc XI, como testemunho da grandeza e riqueza do império da República de Veneza. Possui mais de 4000 metros quadrados de mosaicos de uma beleza única, onde o dourado é a cor dominante.

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Embora a entrada seja gratuita, é necessário requisitá-los num pequeno edifício anexo, que serve igualmente de bengaleiro para deixarmos mochilas e bagagens, pois é proibida a entrada de volumes grandes por razões de segurança. Para entrar tivemos de percorrer as passerelles nas longas filas até entrarmos. Felizmente S. Pedro poupou-nos e apenas tivemos de aguentar uma ligeira chuva "molha-tolos" como se diz aqui no norte até entrarmos.

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A aparente naturalidade desta cena para quem está na cidade acaba por ser desconcertante para quem a observa pela primeira vez.

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O mais preocupante para mim foi o facto de parte da própria basílica estar debaixo de água! Mas aparentemente é algo que se tornou normal. Nas alturas da maré alta ou nas marés mais vivas, o nível das águas aumenta mesmo muito e como a praça de São Marcos é a parte mais baixa da cidade, é também aquela onde os efeitos se fazem notar mais.

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O Palácio Ducal ou Palácio dos Doges é outra paragem obrigatória na cidade. A visita custou-nos muito, pois esperamos 1 hora para entrar com um tempo muito desagradável, mas valeu sem dúvida a pena.

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O edifício está repleto de sinais da grandeza da República de Veneza, mas o que mais impressionou foi a imensidão da Sala del Maggior Consiglio e a envergadura das suas pinturas, especialmente as do teto. Com 53 metros de comprimentos por 25 de largura, a sala é uma das maiores em toda a Europa e servia para albergar todos os elementos da assembleia soberana do estado de Veneza.

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Uma das referência do Palácio é também a Ponte dos suspiros, mas desengane-se quem possa achar que é uma referência romântica com a de Verona, pois na verdade o nome vem do facto de ter sido o caminho percorrido pelos condenados em direção às masmorras do palácio, que, ao vislumbrar uma última vez o exterior e a liberdade perdida, soltavam um suspiro de tristeza.

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A ultima vista para a liberdade seria esta (sem os turistas obviamente).

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Ainda tivemos tempo de continuar a descobrir as ruelas e becos da cidade. Encontramos aquela que para mim é a loja Zara mais original de todas: podemos estacionar a gôndola à porta! Ainda cruzamos mais umas pontes até chegarmos à Basílica de Santa Maria della Salute, de onde temos uma perspetiva ótima sobre a praça de São Marcos e os seus edifícios.

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Mas quando a noite chegou, apanhámos o Vapporeto para termos o prazer de desfrutar das mais belas perspetivas sobre a cidade: as que podemos ter a partir do grande canal. Apesar da azáfama do entra e sai neste autocarros das águas de quem trabalha na cidade, a viagem é vagarosa e permite-nos apreciar a beleza dos fantásticos edifícios da cidade. Passámos debaixo da ponte de Rialto, com uma vista única para a mesma.

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Casino de Veneza, um lugar que não é para o meu bolso.

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Deixámos a cidade bem cedo numa manhã cheia de bruma, onde as ruas desertas ganhavam uma atmosfera digna de um filme de suspense.

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Tal como disse, ou se ama ou se odeia Veneza... mas o que é certo é que também nunca se esquece! Pela minha parte, fiquei encantado com a cidade e apenas tive pena não termos tido mais sorte com o tempo. Mesmo assim valeu!

De Veneza S. Lucia seguimos por um Frecciarossa, o equivalente italiano do TGV, até Milão, onde ainda aproveitamos para passear mais um pouco, até apanharmos o voo de regresso encerrando assim a nossa viagem pelo Norte de Itália.

Se quiserem comentar ou pedir dicas/informações, deixem um comentário!

Boas viagens

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