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Picos da Europa - Bulnes (Mini GR-203)

por darasola, em 11.12.12

Para terminar a parte dos relatos das caminhadas nos Picos da Europa, fica aqui a descrição da visita à aldeia de Bulnes. Esta é uma localidade que esteve praticamente isolada da "civilização" (se é que se pode dizer assim) até 2001. Com efeito, o único acesso à aldeia fazia-se a pé desde Poncebos (onde termina/acaba a Ruta del Cares) por um trilho sinuoso (GR-203) e de relevo acentuado com uma duração média de 1h15 min. Convenhamos que não era pêra doce ir à padaria comprar pão. Felizmente (ou infelizmente), o governo espanhol decidiu proporcionar um acesso digno desse nome, escavando um túnel que rasga as entranhas da montanha ao longo de 2 227 m, com um desnível de 402 m e uma inclinação de 18,19% (obrigado Wikipedia). A viagem faz-se de funicular, quase como se fosse um metro de montanha. O preço é bastante inflacionado para turistas (cerca de 20€ - ida e volta). Note-se que até à sua criação, a aldeia não possuía qualquer veículo motorizado, sendo que com o funicular foram transportados alguns tratores agrícolas, que permitem o transporte de mercadorias e auxílio às tarefas dos campos. Chegados ao topo, resta-nos percorrer uma parte do trilho de acesso à aldeia, que nos leva à "La Villa", a parte inferior da aldeia e seguir até ao "Barrio del Castillo", a parte superior da mesma. As paisagens que a rodeia são fantásticas e o local é bastante pitoresco, no entanto vê-se que está convertido à exploração do turismo, com vários estabelecimentos para comida e dormida. Ninguém os pode censurar, já que apesar do progresso, calculo que não será nada fácil viver ali todo o ano. Ficam as fotos desta pequena caminhada, que foi mais um passeio.

Entrada da estação do Funicular por onde corria um vento gélido que vinha das entranhas da montanha.

O funicular / metro.

Going up!

Painel informativo I

Painel informativo II, com as referências aos trilhos que ali passam.

Sinalética do GR.

O acesso à aldeia.

Paisagem circundante.

A 1ª vista do casario.

Fuente de la Villa

Esplanadas junto ao ribeiro

E esta, hein? Nunca me tinha passado pela cabeça que umas botas também podiam servir para isto.

E outras ainda...

Ruela pelo centro da aldeia de baixo.

Caminho até ao "Barrio del Castillo"

Perspetiva sobre o vale por onde chegámos.

Chegada a El Castillo.

Lá em baixo, na construção mais acima, fica a saída do funicular.

O bode e o prado.

Fantástico prado!

Construção local.

Do alto do bairro El Castillo, pode ver-se o vale por onde era o antigo acesso à aldeia até Poncebos.

Uma pequena capela.

E o seu (escuro) interior.

No regresso, nova passagem pela parte inferior da aldeia até ao funicular.

Como referi, não foi bem uma caminhada, mas antes um passeio. Seria muito mais engraçado fazer o trilho desde Poncebos até aqui, mas depois de percorrer nesse dia a Ruta del Cares, e com o tempo contado para apanhar o autocarro de regresso, esta visita à aldeia foi bem agradável.

Boas caminhadas

darasola

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Praticamente desde que comecei a ouvir falar dos Picos da Europa, percebi que esta era A CAMINHADA imperdível. As expectativas era altas e posso confirmar que não ficamos nada desiludidos. O percurso de cerca de 12 km segue pelo desfiladeiro do rio Cares, que serpenteia entre paredes verticais de centenas de metros de altitude. Nalguns locais, a largura do desfiladeiro tem pouco mais de 3 metros de largura. Quase parece que podemos tocar o outro lado. Ao longo do percurso, atravessámos pontes metálicas que impressionam, não só pela altura, mas também por pensarmos como é que foram construídas naquele local onde nenhum veículo consegue chegar. Também conhecida como "Garganta divina", esta rota tem a particularidade de proporcionar a qualquer pessoa sem grande experiência em pedestrianismo o acesso a paisagens deslumbrantes! O percurso inclui a travessia de algumas grutas escavadas na rocha calcária dos maciços, por forma a permitir a progressão e passagem dos operários que construíram o canal que existe ao longo do todo o percurso e que levava a água captada em Cain até Poncebos, onde existia uma antiga unidade energética. Pelo caminho percebemos que era mesmo um trilho turístico, tal era a quantidade de pessoas que encontramos por lá, certamente mais de duas centenas espalhadas ao longo do trilho (as informações oficiais dão conta de 200 000 visitantes por ano). Apesar disso, a caminhada não perde a piada, pois o trilho é perfeitamente seguro (praticamente 1,5 de largura em todo o percurso), embora tenha reparado que muitas pessoas com quem me cruzavam optavam por circular sempre encostadas à parede. Para quem quiser conhecer, há que lembrar que é uma rota de montanha com precipícios perigosos e nada aconselhável a quem possa ter vertigens. Para além disso, há sempre perigos presentes, como o risco de queda de rochedos, podendo ferir gravemente os caminheiros, como aconteceu em Setembro passado. Há que recordar também que no início do presente ano (2012), ocorreu uma derrocada que levou parte do caminho. Felizmente, o governo local tratou de reparar o percurso com a colocação de um passadiço seguro para a travessia. A ruta del Cares, por ser um percurso ao longo de um desfiladeiro, é um percurso exposto e por vezes sufocante, pelo que é necessário levar líquidos q.b.

Informados pelo Turismo de Cangas de Onis sobre a possibilidade de sermos transportados para o início do percurso e recolhidos no final por uma carreira regular, optámos por esta forma de fazer a ruta, porque achámos que assim poderíamos aproveitar para fazer outras atividades (ver o próximo post) e evitava-se o "incómodo" dos percursos lineares: o regresso pelo mesmo caminho. Sei que este caminho não seria nada aborrecido e proporcionaria outras perspetivas fantásticas, mas preferimos conhecer outras coisas.

Por tudo isso, esta caminhada vai com toda a segurança para o meu top pessoal de caminhadas a não perder.

Deixo-vos então agora com as fotografias da aventura:

Aldeia de Cain.

Bienvenidos al desfiladero del rio Cares! :-D

Gráfico do percurso

O rio Cares corre livremente pela aldeia.

A primeira travessia.

Mapa do percurso (a amarelo)

É sempre importante recordar: Ruta Peligrosa! Acho que não é preciso traduzir...

Última perspetiva de Cain e dos picos envolventes.

O início da entrada do rio Cares na estreitíssima garganta.

Existe uma pequena represa criada por uma pequena barragem.

A cor das águas é algo de fantástico!

A primeira travessia por cima da barragem.

Existe uma escada para peixes.

O início do desfiladeiro é sem dúvida a parte mais encantadora do percurso.

É impressionante ver os túneis escavados na própria rocha.

Perspetiva olhando para trás, para a pequena barragem.

Nalgumas grutas a água, muito fria por sinal, pingava pela rocha abaixo.

De repente acabam os túneis e, por pouco tempo, voltamos a ter uma paisagem ampla.

Caminho junto ao talude da conduta de água.

Um local de uma pequena derrocada. É bom não esquecer os perigos!

Perspetiva para trás. Impressionante!

Novamente surgem as passagens por grutas.

Ao longo do percurso cruzamo-nos com várias cabras. É curioso vê-las a trepar pelas paredes, desafiando os perigos.

Mais uma ponte em vista.

A cabra foi abrindo caminho.

Olhando para trás.

La Cuevona: uma ampla cavidade existente no percurso.

Painel informativo.

Em cima da puente de Los Rebecos.

Mais cavidades, agora na outra margem do rio.

Olhando para trás, para a ponte por onde passámos.

É impressionante olhar para cima e para baixo e tentar perceber a altura das paredes.

O caminho é neste sentido.

Caminhar debaixo de um tecto!

Um dos locais mais estreitos do percurso. Parecia mesmo que conseguia tocar a outra margem.

Mais uma ponte no percurso.

Puente de Bolin

Conseguem comparar o tamanho das pessoas com o tamanho do desfiladeiro.

O canal de água junto ao trilho.

Espetacular!

Mais grutas.

A um passo do vazio!

Uma larga represa no curso do canal.

O canal vai serpenteando com o próprio trilho, ora de um lado, ora do outro; ora por cima, ora por baixo.

Nesta zona, a conduta passa bem abaixo do caminho.

Nunca pensei encontrar edifícios ao longo deste percurso, mas a verdade é que até passamos por vários.

Mudança de concelho.

Ponte sobre um leito de ribeiro, seco nesta altura do ano.

Caminho e conduta a cruzarem-se.

Este é o local que sofreu uma enorme derrocada que interditou a ruta em abril passado.

 

Agora, encontramos tudo arranjado com este passadiço impecável. Isto mostra a grande diferença entre a política espanhola e portuguesa para estes assuntos. Aprendam senhores!

Colocaram agora um "Sky walk" para os mais corajosos.

Praticamente a meio do percurso.

Encontramos esta construção, cuja sombra serviu de abrigo do sol intenso e aproveitamos para almoçar.

Lá ao fundo, a ponte indica que deve haver um trilho para lá chegar.

Pouco a pouco, o vale alarga-se e torna-se imponente.

Mais uma a fazer pose!

Lá ao fundo, via-se perfeitamente uma corrente forte que surgia do nada e se juntava ao rio Cares. Será provavelmente alguma corrente subterrânea que ali surge à superfície.

Uma curva acentuada numa zona de leito de um ribeiro. 1º a perspetiva para lá.

E a perspetiva contrária.

O percurso perfila-se até ao ponto da curva.

GR e PR juntos.

Não era por ali, mas vimos dois caminheiros a descer, descer, descer...

Uma curiosa formação geológica fruto da erosão.

Nalguns painéis, vêm-se fotos da época em que este percurso foi construído.

Los Collaos, a parir de agora é sempre a descer até Ponte de Poncebos.

Olhando para trás, a conduta surge novamente como por magia, passando bem abaixo do caminho.

Nesta zona, existem vários casarios abandonados.

Ponte de Poncebos surge mesmo depois da curva da montanha.

Olhando para trás.

A última curva antes de chegarmos, quase sem dar por isso, à civilização.

Os carros da foto não enganam. Chegamos ao reino do asfalto. No entanto, ali existe outro caminho que leva à aldeia de Bulnes, uma aldeia que esteve praticamente sempre isolada, já que o único acesso era por um caminho de montanha.

O caminho era por ali. Em 2001, foi contruído um tunel que rasgou a montanha e que permitiu o acesso através de um funicular, um verdadeiro metro de montanha, mas bastante mais caro que uma viagem de metro qualquer.

Um último túnel antes de chegar à zona das estalagens e restaurantes existentes em Ponte de Poncebos.

As águas do rio Cares continuam tranquilamente o seu caminho... e nós também.

Boas caminhadas

darasola

 

Editado (2014/01/25): Há notícias de que o percurso vai ser alargado em mais nove quilómetros ligando Caín a Posada de Valdeón.

Link aqui ou aqui.

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