Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Voltar a Drave é sempre especial. Não é por acaso que esta aldeia é chamada de mágica. O regresso foi marcado para uma data em particular, para poder assistir à festa da Sra da Saúde, padroeira da aldeia. Nessa data especial, a aldeia ganha o fôlego que o tempo lhe foi tirando e enche-se de vida. Várias dezenas de pessoas entre escuteiros, descendentes dos Martins da Drave, ou simplesmente pessoas que se apaixonaram pela aldeia voltam para a singela festa religiosa em honra da Sra da Saúde. Abrem-se as portas da capela alva e limpa-se o pó das figuras religiosas. Foi aliás a primeira vez que entrei na capela, que até parece maior por dentro do que é por fora. Por ser impossível albergar no interior todos os que ali estão, o "altar" para a cerimónia é colocado cá fora. E é ali que todos esperam pelo pároco, que chega visivelmente suado e com o rosto avermelhado. É fácil encontrar alguém que diz ter nascido naquela casa, que não passa agora de um monte de pedras. Outros dizem que vieram de propósito do estrangeiro para voltarem ali nesta data para honrar a família com origens na Drave. Muitos escuteiros aguardam com alegria e conversas o início da cerimónia, nesta que é uma segunda casa para eles. É ali, num equilíbrio periclitante, com um pé numa rocha e outro noutra mais alta, ou simplesmente sentados no chão, que muitos ouvem o sermão do padre. A dada altura, vestem-se as opas que cobrem os ombros dos que carregam os andores da procissão, erguem-se as bandeiras com as figuras religiosas e alinham-se os andores para a pequena procissão. Da capela até à cruz alta, percorrem-se poucas centenas de metros, numa cadência marcada pelos ritmo lento dos passos e com os olhares no chão para verem onde colocar os pés neste trilho irregular. Chegada à cruz, a fila volta para regressar à capela e as pessoas apertam-se para permitir a passagem nos dois sentidos. Os que regressam, deitam um olhar para o precipício à sua direita e outro para a capela na outra margem do ribeiro. Esse mal se vê, resultado da seca que o país viveu, mas a travessia da pequena ponte lembra que ele pode tornar-se um obstáculo. Terminada a cerimónia e dada a bênção, os grupos separam-se à procura de um sombra para merendar. Escolhemos um prado e a sombra de um castanheiro junto ao ribeiro da Drave, que mais parece uma calçada de seixos, com algumas poças aqui e ali, onde peixes e rãs temem pelo futuro. Com a tarde a avançar, é preciso fazer-se ao caminho porque o regresso ainda é longo e duro: 4 km até à aldeia de Regoufe. Muitos partem com a certeza de voltar no próximo ano, mas disso ninguém tem a certeza.

Drave_SRA_Saude_01.jpg

Partida em Regoufe

Drave_SRA_Saude_02.jpg

Ruas da aldeia de Regoufe

Drave_SRA_Saude_03.jpg

Uma típica aldeia serrana beirã.

Drave_SRA_Saude_04.jpg

A subida depois de Regoufe

Drave_SRA_Saude_05.jpg

A vista para as "garras" da Serra da Arada

Drave_SRA_Saude_06.jpg

Drave_SRA_Saude_07.jpg

A vista para a aldeia. O grande incêndio de 2016 deixou marcas na paisagem com muitas árvores queimadas.

Drave_SRA_Saude_08.jpg

A vista para a capela de porta aberta

Drave_SRA_Saude_10.jpg

O altar principal da capela

Drave_SRA_Saude_09.jpg

Detalhe do interior da capela

Drave_SRA_Saude_11.jpg

Durante a missa

Drave_SRA_Saude_12.jpg

A procissão saindo da aldeia

Drave_SRA_Saude_13.jpg

O irregular caminho da procissão

Drave_SRA_Saude_14.jpg

Os vários andores da procissão

Drave_SRA_Saude_15.jpg

Chegados à cruz alta, a procissão regressa em direção à aldeia

Drave_SRA_Saude_16.jpg

Drave_SRA_Saude_17.jpg

Terminada a cerimónia, viemos para junto da ribeira da Drave que encontrámos neste estado.

Drave_SRA_Saude_18.jpg

Mais parece uma estrada em calçada.

Drave_SRA_Saude_19.jpg

Aqui e ali, algumas poças de água iam persistindo, aguardando o regresso da chuva e da força das águas.

Boas caminhadas

darasola

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Esta é mais uma proposta de um percurso pedestre (Pode ser também realizado de bicicleta) em pleno Parque Natural da Ria Formosa. O local em questão é a Quinta de Marim, em Quelfes, Olhão, que está sob a tutela do ICN e onde se situa a sede do Parque Natural da Ria Formosa. O Centro de Educação Ambiental de Marim é uma área de 60ha . Nele encontra-se reunida uma amostra representativa dos valores naturais e culturais da Ria Formosa. Trata-se de uma estrutura vocacionada para a educação ambiental, oferecendo aos visitantes vários serviços.

 A entrada da Quinta.

Para visitar a quinta é necessário pagar 1,5€ (Não sejam forretas que vale bem a pena!)

O início do trilho. O trilho de descoberta da natureza tem uma extensão de cerca de 3 km e demora 2-3 horas a ser percorrido. Está balizado com postes de madeira marcados a vermelho/amarelo e inclui pontos de paragem equipados com placas informativas.

Mapa do percurso com a localização dos diferentes pontos de interesse.

A vegetação é típica da zona mediterrânica . Ao longo do trilho estão representados alguns dos ecossistemas da Ria Formosa: zona de sapal, salinas, dunas, pinhal, charcos de água doce e agricultura tradicional .

Existem também "hotéis 5 estrelas" para a passarada, com "suite" presidencial e tudo! Ahhh pozzéééé

Em direcção ao pontão e aos viveiros.

Os viveiros de piscicultura.

O pontão para o embarcadouro.

Existe neste local um antigo barco da pesca do atum, que foi uma actividade muito intensa na região, mas que veio progressivamente a desaparecer a partir do século passado.

O tal barco da pesca do atum: o "Marselhesa". Foi restaurado pelo parque para fins pedagógicos e históricos.

O pontão.

Os passadiços em direcção ao moinho.

Passamos por vários habitats naturais diferentes como as dunas e o sapal.

Entre as construções (recuperadas pelo PNRF ) que se pode ver ao longo do trajecto, contam-se um moinho de marés, uma casa agrícola tradicional (e a respectiva nora), a casa do poeta João Lúcio e ruínas arqueológicas da época romana.

O moinho de marés foi também recuperado por iniciativa do PNRF e é um dos 3 em funcionamento em todo o país.

A apanha dos bivalves.

Do terraço do moinho, a vista da ilha da Armona .

E uma chaminé tipicamente algarvia.

O moinho tem 6 mós.

Outra perspectiva do moinho.

As pequenas estacas delimitam as áreas dos viveiros de bivalves.

Existem também dois postos de observação das aves.

Esta é a vista que se tem a partir do 2º posto de observação. Muitas aves no seu habitat. É favor não perturbar!

Mais adiante existe uns vestígios da época romana de tanques para a salga dos alimentos.

Um dos tanques. É bem visível a marca deixada pelo sal.

Existe também um edifício para a recuperação de aves de rapinas.

Esta zona ladeada de sebes com o trilho a passar pelo meio faz lembrar uma paisagem de uma qualquer zona do mediterrâneo: Itália, Côte d'Azur ?? Não! É mesmo Portugal!

Uma nora...

...com o esquema a exemplificar o seu funcionamento.

Este edifício é um canil que serviu para a recuperação da raça do Cão de água português.

O trilho do regresso ao ponto de partida. Sem dúvida um percurso muito interessante. É daqueles percurso que fazemos e ficamos com a sensação de ter ganho alguma coisa. Sem dúvida uma experiência enriquecedora.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Blogs Portugal



Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Instagram


Siga o darasola no Instagram

Instagram

Copyrights

A reprodução de todo ou qualquer texto, fotografia ou conteúdo é expressamente PROIBIDA sem autorização por escrito do autor. A reprodução não autorizada é punida por lei. O eventual uso de conteúdos deste blog deve ser SEMPRE acompanhado da referência ao mesmo (de preferência com link). Para contacto: dar.a.sola@sapo.pt

Facebook



Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2006
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D